sábado, 12 de dezembro de 2015

O dia da criação


Vinicius de Morais 


Macho e fêmea os criou.
Bíblia:
Gênese, 1, 27


I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Comigo não




Sinceramente, eu não agüentaria. Isso mesmo. Eu não aguentaria. Foi o que disse ao meu amigo. Veja só. O meu amigo me confidenciou coisas da sua intima relação sentimental, quer dizer, também não me pediu segredos, por isso passo a dividir com vocês a situação.

O meu amigo, no alto dos seus 60 anos, já vem de algumas batalhas, umas vencidas outras empatadas e algumas derrotadas. Acho que mais derrotas que vitorias. Mas bem. Ele me disse de sua atual namorada, me contou um pouco de seu amor por ela. Não, não ela não é tão nova assim, já vem de muitas guerras também. Na verdade os dois andam baleados.
Pois bem, o meu amigo ta morrendo de amores, procura fazer o melhor para agradar a sua mina, isso ele me disse. Mas acontece que às vezes fica indeciso na relação. Disse-me que às vezes ela o trata mal, que já chegou ao ponto de dizer que não lhe deve satisfação de nada, e de que ele não é nada para ela.
Juro a vocês, senti lágrimas nos olhos do meu amigo quando me narrou esses fatos. Também, contou quando telefona é recebido com palavras monossilábicas e que nunca recebeu um “alô” carinhoso, nem frases como: ando com saudades de você, queria lhe vê, coisas desse tipo que todo amante (quem ama) gosta de ouvir... Quando ela atende vai logo dizendo: o que foi? Frase que o deixa desconsertado/destruído...
Ele pediu minha opinião, primeiro pensei em falar, larga ela. Ai pensei em sua vontade de reconstruir sua vida sentimental, e do grau de sentimento nutrido pela atual, quer dizer, reconstruir nem sei se é bem a palavra certa. Mas acho que ele quer mesmo doar o resto do amor que ainda guarda no peito.
Depois refleti quem sou eu para dar-lhe conselhos. Em seguida pensei, existe mulher que não gosta de muito nhem, nhem, nhem, gosto do taco no taco e até outro dia, quem sabe... Isso também não disse a ele, só disse a ele que investigue um pouco mais, que procure saber se ela sempre foi assim... Levantei da cadeira onde estava sentado escutando e disse, caso contrario a coisa é com você mesmo. Ele arregalou os olhos e saiu andando cabisbaixo. .
Como hoje é sexta feira, vou tomar umas no bar da esquina, pensando na Tristeza/Felicidade/Amarração do meu amigo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Palhaceata



Alegria, Humor e Descontração tomarão conta das ruas de Macapá, será de 10 a 12 de dezembro, não sabiam? É a 6ª Palhaceata em comemoração ao dia Internacional do Palhaço 10/12.
 Durante a programação haverá oficina, apresentações artísticas encerrando com uma partida de futebol entre os palhaços.

Programação
10 de dezembro
15h - Concentração em frente ao Teatro das Bacabeiras
17h - Saída do cortejo da Palhaceata (percurso: Rua Candido Mendes – Av. Coaracy Nunes, Rua. Binga Uchôa).
18h - Chegada à Praça da Casa do Artesão
Mestres de Pista: Marton Maúes e Pato Kannar
19h – Roda de Palhaços e Apresentações diversas
Palhaços Trovadores-PA
Trupe do Pato
Ciranda Materna
Que Maravilha (Santana-AP)
Tatamirô Grupo de Poesia
Companhia Cangapé
Paspalhões (Santana - AP)
Lu de Oliveira (Contação de Histórias)
Circo Roda Ciranda
Missilene Cabral (Contação de Histórias)
Cia. De artes Tucuju
Palhaço Mutuca

11 de dezembro
Oficina para Formação em Palhaçaria
Oficineiro: Marton Maués (PA)
Local: Conselho Estadual de Cultura-CONSEC – 19h às 22h

12 de dezembro
17h – FutClowns (futebol de palhaços)
Local: Beira Rio

O Palhaço



Viva o Palhaço!

Poema do palhaço Picolino, que traduz em versos a essência dessa profissão tão nobre e divertida.

Eu quero explicar a vocês
O que é ser um palhaço
O que é ser o que eu sou
E fazer isso o que eu faço

Ser palhaço é saber distribuir
Alegria e bom humor
E com esforço contentar
O público espectador

Muita gente diz Palhaço
Quando quer xingar alguém
E esse nome pronunciam
Com escárnio e desdém

E ao ouvir esta palavra
Outros sentem até pavor
Como se palhaço fosse
Criatura inferior

Mas de uma coisa fiquem certos
Para ser um bom palhaço
É preciso alma forte
E também nervos de aço

E além de tudo é preciso
ter um grande coração
para sentir isso o que eu sinto
Grande amor à profissão

O Palhaço também tem
Suas noites de vigília
Pois lá na sua barraca
Ele tem a sua família

Palhaço, meus amigos,
Não é nenhum repelente
Palhaço não é bicho
Palhaço também é gente

Falo isso em meu nome
E em nome de outros palhaços
Que muitas vezes trabalham
Com a alma em pedaços

Ser palhaço
É saber disfarçar a própria dor
É saber sempre esconder
Que também é sofredor

Porque se o palhaço está sofrendo
Ninguém deve perceber
Pois o Palhaço nem tem
O direito de sofrer

Palhaço Picolino

De cara pintada



Hoje quando acordou, acordou com um gosto de lona na boca e um sabor de picadeiro nos lábios. Olhou para o espelho, relíquia de sua família e viu rugas em seu rosto. Bem no fundo de seus olhos uma tristeza que não sabia por que ali estava.
Sentou-se a beira da companheira cama e começou a rememorar sua vida. Desde os tempos de moleque em que aprendeu a dar saltos mortais na moinha jogada na antiga praça do bairro. Viu suas irmãs com aquelas roupas chamadas de duas peças, pequenas duas peças coloridas e umas sapatilhas confeccionadas pelo antigo sapateiro da Rua São José.
Olhou seus braços, agora flácidos sem a musculatura de um saltador, rapaz exímio atleta, o melhor fazedor de paradas de solo. Lembrou seu pai preparando para saltar de um trapézio improvisado entre as árvores existente no velho quintal.
Pensou em sua roupa colorida, paletó de um tecido chamado de riscado, uma pequena gravata que se movimentava, pensou no sapato de língua comprida, até mesmo naquele velho sapato furado, valia improvisar. O importante era fazer rir...
Recordou os números circenses que realizava com as irmãs, seu pai ficava deitado com as pernas levantadas, eles corriam na direção donde estava o pai, ele com as pernas arremeçava- os longe, eles iam dando saltos no ar. A vizinhança que assistia as apresentações ficava maravilhada. Só muito depois que foram vê alguém realizar aquelas coisa denominadas de acrobacias, nos filmes chineses...
Mas, agora estava ali no quarto, sozinho. Uma tristeza invadia sua alma, uma saudade percorria seu corpo. Abriu a gaveta do velho guarda roupa e reviu as antigas latas de maquiagem... Pensou nas estórias contadas pelo pai, das viagens que fez nos grandes circos em que participou/trabalhou como palhaço.
Mas um dia resolveu ficar na cidade de Macapá... Arranjou emprego no GTFA e nunca mais conseguiu levantar sua lona e atravessar estradas, muito menos, armar nas praças da cidade o Gran Circo de sua Vida... Pensou nas promessas que fizera ao Pai: Um dia recupero a sua historia, serei o Palhaço Trapezista do circo.
Hoje sozinho, é ele quem não consegue atravessar o picadeiro da vida. Porem, ainda existe uma vontade louca de pinta a cara... Pois, a imagem do pai que lhe acompanha é aquela de um homem de cara pintada fazendo alegria a todos. .